Na indústria alimentícia, podemos encontrar uma grande variedade de aditivos para dar cor, melhorar a consistência ou as propriedades organolépticas dos produtos.
Um dos aditivos mais utilizados são os conservantes de alimentos, dos quais todos já ouvimos falar, embora provavelmente não saibamos exatamente o que são, quais são suas funções e se há algum risco para a saúde associado ao seu consumo. Nesse texto, vamos esclarecer todas as suas dúvidas. Acompanhe-nos na leitura.
O que são os conservantes de alimentos?
São aditivos responsáveis por aumentar a vida útil dos alimentos; não necessariamente adicionam valor nutricional, mas podem incluir outras propriedades como textura, aparência ou cor. Seu principal objetivo é evitar a formação de microrganismos e bactérias prejudiciais à saúde, além de interromper o processo de decomposição natural dos alimentos.
Os conservantes interrompem ou mantêm o processo de deterioração ao mínimo, evitando a formação de fungos, fermentação e decomposição, assim como o ataque de bactérias e microrganismos, por exemplo a toxina botulínica, causadora do botulismo. Sem o uso de conservantes, os alimentos seguiriam seu processo natural de decomposição, provocando doenças e intoxicações nas pessoas que os consumissem.
Uma breve história dos conservantes
O uso de métodos de conservação é histórico, pois os seres humanos encontraram várias formas de manter os alimentos frescos e seguros muito antes da invenção dos refrigeradores, congeladores, produtos químicos ou embalagens a vácuo.
Na antiga Grécia, a carne era conservada em sal para ser consumida meses após sua captura; os antigos egípcios usavam recipientes selados para armazenar cereais por longos períodos e utilizá-los como alimento ou objetos de troca.
A defumação de carnes em lareiras é outro método de conservação utilizado desde os tempos dos neandertais para manter a carne em bom estado. Já as conservas de frutas datam da época dos antigos romanos, que mergulhavam a fruta em bebidas alcoólicas feitas de cevada e romã.
Durante a Segunda Guerra Mundial, surgiram as alternativas em pó de leite e ovo, obtidas pela desidratação dos produtos frescos, para aumentar a vida útil de ambos os alimentos e alimentar mais pessoas.
No entanto, embora ferver, congelar, salgar e defumar alimentos possa mantê-los comestíveis, a verdade é que existem microrganismos que resistem às variações de temperatura, sendo necessário o uso de produtos químicos para inativar sua ação, prolongando a vida útil dos alimentos e garantindo o seu bem estar.
Funções e características
Adicionar esses aditivos é fundamental para garantir a conservação dos alimentos a nível microbiológico, mas também para evitar perdas à indústria alimentícia, reduzindo as perdas de mercadorias e matérias-primas pela decomposição.
Conservantes alimentares se caracterizam por não serem tóxicos ou por terem um grau de toxicidade muito baixo, a fim de ajudar a manter a vida útil dos alimentos dentro de uma norma de segurança aceitável, para não comprometer a nossa saúde e não para que os alimentos não percam suas propriedades naturais.
Os conservantes de alimentos são regulamentados pelo Acordo de Aditivos da Secretaria de Saúde, que estabelece a dose máxima permitida. Além disso, esses agentes também são utilizados em outros setores como conservantes, por exemplo, na indústria de cosméticos, para a fabricação de cremes.
Conservantes de alimentos mais comuns
- Ácido sórbico e sorbato de potássio: Possuem uma potente ação inibidora contra leveduras e 16 tipos de fungos encontrados em queijos e carnes, com baixo grau de toxicidade.
- Propionatos: Seja de cálcio ou sódio, são usados para prevenir o surgimento e a proliferação de bactérias, bacilos e fungos em produtos de fermentação. O propionato de cálcio não é recomendado para produtos que contêm fermentos em pó, onde não são usados agentes fermentadores. Outras aplicações incluem bebidas não alcoólicas, geleias, doces e gelatinas.
- Anidrido sulfuroso e sulfitos: Usados em frutas desidratadas, conservas, carnes, vinhos e produtos à base de batata, sendo caracterizados por sua segurança e baixa toxicidade.
- Parabenos: As sales desses produtos são fungicidas e bactericidas, utilizadas em produtos cárnicos, conservas de vegetais, molhos e bebidas.
- Benzoato de sódio: Inibe o desenvolvimento de leveduras e bactérias, sendo um dos conservantes mais eficazes para a conservação de alimentos e bebidas.
O uso de conservantes é fundamental para a indústria alimentícia; graças a eles, os consumidores podem consumir uma grande variedade de produtos seguros, duráveis, acessíveis fora de sua temporada natural e de baixo custo.
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